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sexta-feira, 7 de maio de 2010

AS MAIAS SÃO O SÍMBOLO DESTE MÊS.





Por todo o lado elas embelezam a paisagem, dando as boas vindas a este mês.
Segundo o povo português, no dia um de Maio devemos pendurá-las nas portas das nossas casas ou espalhá-las pelos campos, para que os lares e as sementeiras sejam abençoados e protegidos de todos os males.


O MÊS DE MAIO NO RIFONEIRO POPULAR

Maio claro e ventoso faz o ano rendoso
Maio come o trigo e Agosto bebe o vinho
Maio couveiro não é vinhateiro
Maio hortelão, muita palha pouco grão
Maio pardo faz o pão grado
Maio pardo e ventoso faz o ano formoso
Maio que não der trovoada não dá coisa estimada
O rocim em Maio trona-se cavalo
Pão tremez nem o comas nem o dês, mas guarda-o para Maio
Peixe de Maio a quem vo-lo pedir dai-o
Primeiro de Maio corre o boi e o veado
Quando Maio chegar quem não arou há-de arar
Quando Maio acha nado, tudo deixa espigado
Quem em Maio não merenda, aos finados se encomenda
Quem em Maio relva não tem pão nem erva
Quem quiser mal à sua vizinha, dê-lhe em Maio uma sardinha
Sáveis em Maio maleitas de todo o ano
Touro, galgo e barbo todos têm sazão em Maio
Uma água de Maio e três de Abril valem por mil
Viva o Maio carambola que ele vai jogando a bola

ECOS DA ENTRONIZAÇÃO NO RIO DE JANEIRO

O Almoxarife da Confraria de Saberes e Sabores da Beira, "Grão Vasco", José Ernesto Pereira da Silva, aquando da sua deslocação ao Rio de Janeiro, foi agraciado com o Título de Sócio Honorário da Casa de Viseu no Rio de Janeiro. Aqui fica o registo desse momento.








ECOS DA IMPRENSA BRASILEIRA






segunda-feira, 16 de março de 2009

AMENTAR OU EMENTAR AS ALMAS

Quaresma, tempo de abstinência, reflexão, penitência mas tempo também de recordar quem partiu.
Um pouco por todo o lado, homens, nalgumas regiões, mulheres, noutras e homens e mulheres, noutras tantas, juntavam-se no período quaresmal para, diariamente, cantarem e rezarem às almas.
De essência cristã, a amenta, ementa ou encomendação das almas era uma das tradições quaresmais mais respeitadas e acarinhadas pelo povo português.
As almas dos entes queridos, sujeitas às penas do purgatório, necessitavam das preces dos vivos para alcançarem a vida eterna. Quaresma fora, em condições climatéricas tantas vezes adversas, o grupo da ementa das almas ia para a rua cantar e rezar às almas, no sentido de que, quem, no quentinho dos seus lares o ouvia, se lhe juntasse nas preces pela salvação de parentes e amigos falecidos:
“Ó irmãos que estão na cama
nesse sono tão profundo,
lembrai-vos das vossas almas
que lá estão no outro mundo.”
P. N. A. M.
Pouco antes da meia-noite, um a um o grupo ia-se concentrando no adro da igreja. Ninguém falava; ninguém olhava para trás. O medo impedia-os de quebrar a tradição; as almas penadas, os fantasmas, as figuras mais ou menos grotescas e fantasmagóricas que povoam as noites e o imaginário de tantos, rondavam o lugar esperando um deslize, atacando os incautos. Grupo completo, tocava a campainha e iniciava-se o ritual. Todos se benziam e o cântico começava:
“Na hora de Deus começo,
Pai, Filho e Espírito Santo
Por ser o primeiro verso
Que neste auditório canto.”
P. N. A. M.
Seguiam-se sete poisos. O mesmo ritual. Durante quarenta dias ouvia-se por toda a aldeia o cântico arrepiante e lúgubre do amentar das almas. Em casa, tremendo de medo por sob as cobertas, as pessoas rezavam, fervorosamente por pai, mãe, filho ou marido já desaparecidos. Em Sábado Maior tudo terminava em grande festa de alegria e Ressurreição. Durante o dia preparavam-se coroas, desfolhavam-se flores que iriam embelezar cada um dos sete poisos no final de cada cântico. O grupo finalizava o ritual na capelinha da Senhora da Guia, no bairro do Cimo da Aldeia. Terminado o amentar, ainda em silêncio, o Zé Alho, o mais velho do grupo, dava o tom e todos cantavam um cântico final a Maria, pedindo protecção para as suas próprias almas:
“Nome de Maria,
Que tão lindo é
Salvai a minha alma
Que ela Vossa é.”

Quaresma, quarenta dias de jejum e abstinência que medeiam entre a Quarta-Feira de Cinzas e a Páscoa, dia grande da festividade da Ressurreição de Cristo. Em termos bíblicos, o número quatro simboliza o universo material, as provações, dificuldades, sacrifícios, por que passa a Humanidade na sua passagem pelo mundo terreno.
Quaresma, quarenta dias de sacrifício, provação e penitência de Jesus no deserto.
Quaresma, quarenta dias de abstinência, reflexão e penitência dos crentes; quarenta dias de sacrifício e penitência pela salvação das almas; quarenta dias de sacrifício e penitência do grupo da amenta pela expiação das próprias falhas preparando, assim antecipadamente, a entrada no Céu quando a hora de cada um fosse chegando.

Maria Odete Madeira
Passos de Silgueiros, 2 de Março de 2009
(Chanceler-Mor da Confraria de Saberes e Sabores da Beira, “Grão Vasco”)