quinta-feira, 26 de agosto de 2010

São Bartolomeu



A vinte e quatro de Agosto
É o São Bartolomeu,
Menina fale a seu pai,
Que eu também falo ao meu.

O apóstolo São João Evangelista chamou-lhe Natanael isto é, dom de Deus, enquanto que os apóstolos São Marcos, São Lucas e São Mateus o designaram Bartolomeu, ou seja, Bar (em aramaico “filho de”) e Tolomai, filho de Tolomai. No entanto, a dúvida na identidade do Santo permanece e como nos diz Luís Chaves “Parece que o demónio quis vingar-se do seu dominador, furtando-o à certeza do conhecimento dos homens.”
De acordo com a tradição cristã, Bartolomeu terá sido o esposo nas bodas de Caná da Galileia, onde Cristo, a pedido de Sua mãe Maria, realizou o milagre da transformação da água em vinho. Posteriormente, São Bartolomeu acompanhou Jesus até à Sua morte, participando e assistindo às Suas pregações, aos milagres e outras passagens da Sua vida.
Há referências de que no séc. II se encontra na Índia, na China, na Arábia, nas margens do Mar Negro, na Arménia…, como pregador. Terá sido precisamente na Arménia que o irmão do rei Polímio, juntamente com outros sacerdotes pagãos, receando o poder de São Bartolomeu, que havia emudecido o demónio, seu ídolo, rezando “cem vezes por dia, outras tantas de noite” , o martirizaram esfolando-o vivo e decapitando-o num dia 24 de Agosto, no porto de Albanopolis, no Mar Cáspio.
Devido ao seu martírio, São Bartolomeu é considerado o padroeiro daqueles que trabalham em peles: curtidores, luveiros, encadernadores, etc. É também referido, em várias localidades de Portugal, como advogado das doenças das crianças (medo, gaguez, atraso na fala, epilepsia, etc.), exorcista, protector de males com sintomas de possessão demoníaca, de objectos perdidos, esposas enganadas, entre outros.

Senhor São Bartolomeu,
Prometi-lhe uma novena
Que me livrasse do medo,
Porque o medo é uma pena.

Em terras lusas, a maior parte das imagens e pinturas de São Bartolomeu, oriundas, na sua maioria, do século XVI, apresentam-no vestido ou esfolado com a pele às costas, ou dependurada no braço. A faca, instrumento do seu martírio, é uma constante, bem como o demónio acorrentado.

São Bartolomeu em detalhe do Juízo Final de Michelangelo, altar da Capela Sistina

Segundo a tradição popular, este Santo tem uma forte ligação com o diabo, uma vez que se crê que ele era o guardião desta entidade das trevas. Os arménios acreditam que ele retirou o diabo do corpo de um filho do rei Polímio, da Arménia, restituindo-lhe a vida, e aprisionando depois o demónio. Só ele, de entre os doze Apóstolos, tinha poderes para o dominar, libertando-o uma vez por ano para evitar a sua revolta. O dia escolhido por S. Bartolomeu para esta fugaz liberdade foi o de 24 de Agosto. Por isso, ainda hoje, como outrora, se ouvem em muitas regiões de Portugal as expressões “anda o diabo à solta” ou “o diabo anda de quatro”, provocando a desordem total e o pânico no povo crente que, como sabemos, acreditava e temia demónios, bruxas, duendes, lobisomens, enfim, figuras sobrenaturais que pairavam na imaginação das populações. Quando no dia do Santo os ventos se faziam sentir mais do que o habitual, ou paravam momentaneamente, ou o mau tempo ameaçava, o povo atribuía estes fenómenos às vinte e quatro horas de liberdade do demónio. Por isso, regra geral, neste dia não se trabalhava ou se se trabalhasse era em actividades leves, não fosse o diabo tecê-las e algum “desastre” acontecer.
Em muitas zonas de Portugal, o dia de São Bartolomeu inclui, também, o tradicional banho santo no mar, nos rios, nas fontes. Segundo a crença popular, o banho santo é purificador e exorcizador de todos os males (a água tornada milagrosa neste dia por intervenção de São Bartolomeu). De acordo com o povo, o banho santo deve ser tomado sempre em número impar de vezes, pois, como nos diz o padre António Frankelin Neiva Soares, “o número impar está ligado ao masculino e ao mais forte”.
Dia de romaria, um pouco por todo o país os romeiros deslocam-se até junto do Santo da sua devoção, dão as voltas rituais à igreja, geralmente no sentido contrário aos ponteiros do relógio, cumprem promessas, assistem à missa, afagam e beijam o Santo, em agradecimento por algum favor especialmente concedido, tomam os seus banhos santos, merendam em animada confraternização com familiares e amigos e regressam aos seus lares com a certeza do dever cumprido. É assim hoje como à séculos. A fé e a superstição de mãos dadas no dia 24 de Agosto, dia de S. Bartolomeu.
Em Silgueiros, no distrito de Viseu, o S. Bartolomeu tem, também, tradição secular. Segundo fontes históricas, a primeira ermida dedicada ao Santo já existia em 1732, como atesta o padre cura Joam Ferreira Pimenta nos registos paroquiais setecentistas. Neles é dito que Silgueiros “Tem as hermidas seguintes…fora do lugar de Falorca a de S. Bartholameu…” . Mais à frente, no mesmo documento, o referido padre cura salienta que “A algumas (subentenda-se ermidas), acodem devotos e romeyros procique nos seos dias: A saber a de S. Bartholameu que há tradiçam que foy pr.ª fundação desta igreja…” o que prova que, também aqui, o povo silgueirense venerava este Santo.
Ontem como hoje, o sagrado e o profano andam de mãos dadas neste dia. À festa religiosa com procissão e pagamento de promessas junta-se a secular feira de S. Bartolomeu que segundo o dito padre cura “Tem esta parochia hua feyra em Falorca que se faz em dia de S. Bartholameu, existe só no dia, a qual é Franca .”
Feira de capital importância para a vasta freguesia de Silgueiros, nela se vendiam os produtos da terra e se comprava tudo do que se necessitasse para o longo inverno que se avizinhava. As alfaias agrícolas eram as mais procuradas. Era também conhecida pela feira dos melões, dado que era frequente encontrar este fruto em abundância no recinto da feira de S. Bartolomeu. Os barros vermelhos da Gândara ou os pretos de Molelos também marcavam a sua presença, e faziam as delícias dos meninos que, por tradição, levavam uma miniatura de cântara, de jarra, de garrafão para casa em jeito de recordação.
Hoje a festa religiosa ainda existe. A ela acorrem muitos devotos em agradecimento por alguma benesse concedida ou simplesmente movidos pela fé. Muitos dos nossos emigrantes marcam a sua presença nesta altura para poderem estar na terra em dia de S. Bartolomeu. A feira também existe. No entanto, o progresso alterou-lhe o local, o bulício característico, a afluência de gentes e muito do encanto de outrora.

Maria Odete Madeira
Passos de Silgueiros, Agosto de 2010

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Bibliografia

Barros, Jorge e Costa, Soledade Martinho, “Festas e Tradições Portuguesas”, Vol. VI, ed. Círculo de Leitores, 2002
Revista Ocidente, n.º 32, Vol. XI, Dezembro de 1940
Revista Ocidente, n.º 40, Vol. XIV, Agosto de 1941
Oliveira, João Nunes de, “Notícias e Memórias Paroquiais Setecentistas”, Palimage, Viseu, 2005.


O Mês de Agosto no Rifoneiro Popular

A cava de Agosto enche o tonel de mosto
A terra lavrada em Agosto à estercada dá de rosto
Agosto amadurece, Setembro vindima-se
Agosto chuvoso, dá força à vida
Agosto, frio no rosto
Agosto e vindima não vem cada dia e sim cada ano, uns com ganância e outros com dano
Agosto tem a culpa e Setembro leva a fruta
Água de Agosto, açafrão, mel e mosto
Cava e esterca em Agosto do lavrador alegra o rosto
Chuva em Agosto apressa o mosto
Chuva fina por Stº Agostinho é como se chovesse vinho
Corra o ano como for, haja em Agosto e Setembro calor
Couves em Agosto, tumba à porta
Em Agosto aguilhoa o preguiçoso e sê cuidadoso
Em Agosto secam os montes e em Setembro secam as fontes
Em Agosto toda a fruta tem seu gosto
Lá vem Agosto com os seus Santos ao pescoço

quinta-feira, 29 de julho de 2010

CONFRARIA DE LUTO

“De vez em quando a eternidade sai do teu interior e a contingência substitui-a com o seu pânico. São os amigos e conhecidos que vão desaparecendo e deixam um vazio irrespirável. Não é a sua 'falta' que falta, é o desmentido de que tu não morres.”

Vergílio Ferreira


Luto pelo Confrade e Beirão de Mérito,

Jorge Abel de Oliveira Figueiredo
Compositor e professor de música na cidade de Viseu.
(1958 - 2010)





É com muito pesar que a Confraria de Saberes e Sabores da Beira, “Grão Vasco”, informa todos os seus Confrades e Amigos do falecimento, no dia 28 de Julho, do nosso querido Confrade e Beirão de Mérito, Professor Jorge Abel de Oliveira Figueiredo.
A partir das 15h00 de hoje, dia 29, os seus restos mortais encontrar-se-ão em câmara ardente na Igreja da Ressurreição, na Paróquia de Coração de Jesus (Igreja Nova).
As exéquias fúnebres terão lugar amanhã, dia 30, pelas 10h30.

À esposa, filhos e demais família, apresentamos os nossos sentidos pêsames.

O Almoxarifado
A CONFRARIA DE SABERES E SABORES DA BEIRA, "GRÃO VASCO", deseja a todos os seus Confrades e amigos umas Boas Férias

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Capítulo de Verão/Dia Nacional do Vinho





Em dia de Vinho, um pouco de Sabedoria Popular

Lenda do Vinho

Há muitos milhares de anos, um homem que passou a vida na Grécia, quando se sentiu velho regressou á sua Pátria, a Itália, e resolveu levar com ele uma linda videirinha, pois não se lembrava de, na sua infância, ter visto tal planta na sua terra natal.
Como não tinha vaso para a transportar, utilizou o que tinha à mão, um osso de galo. Esvaziou-o e meteu dentro as suas raízes com um pouco de terra.
Ora como se deslocava a pé, levou muito tempo a fazer a viagem e a videira cresceu. Não teve outro remédio senão mudá-las para um osso de leão que encontrou pelo caminho.
Mas com a planta continuasse a crescer, Dionísio, assim se chamava o viajante, que teve a sorte de deparar com um osso de burro, para lá mudou a plantinha.
Consta que daquela videira se fizeram muitas outras, e por ela ter crescido em estranhos “vasos”, quem bebe pouco vinho, fica alegre como o galo; quem bebe mais, fica forte como um leão, Castanhas e vinho e quem muito abusa do vinho, perde as ideias e fica mesmo estúpido como um burro.

O Vinho e os Provérbios

Vinho que baste, carne que farte.
Vinho pela cor, pão pelo sabor.
Mais pessoas se afogam no copo do que no mar.
Onde alhos há, vinho haverá.
Tonel mal lavado: vinho estragado.
Nunca ao bêbedo faltou vinho nem à fiandeira linho.
Bom vinho: má cabeça.
Conselho de vinho faz errar o caminho.
Foge do mau vizinho e do excesso de vinho.
Quem do vinho é amigo cedo está perdido.
Quem do vinho é amigo de si é inimigo.
Quem muito bebe tarde ou nunca paga o que deve.
Ninguém se embebeda com vinho da sua adega.
Quem de vinho fala sede tem.


Registo de Alguns Momentos do Capítulo de Verão/Dia Nacional do Vinho















quinta-feira, 8 de julho de 2010

O MÊS DE JULHO NO RIFONEIRO POPULAR

A geira de Maio vale os bois e o carro, a de Julho vale os bois e o jugo
Deus ajudando, vai em Julho mercando
Em dia de S. Tiago à vinha acharás bago se não for maduro, será inchado
Em Julho reina o gorgulho
Em Julho ceifo o trigo e o debulho, e em o vento soprando o vou limpando
Gavião temporão, Santa Marinha na mão
Junho, Julho e Agosto, Senhora não sou vosso.
Julho quente, seco e ventoso trabalha sem repouso
Malha pelo Santiago é de agrado, mas a de Agosto já não dá gosto
Não há melhor amigo que Julho com seu trigo
Pelo S. Tiago (dia 25) cada pinga vale um cruzado
Pelo S. Tiago na vinha pinta o bago Ou Pelo S. Tiago pinta o bago
Por muito que queira Julho ser, pouco há-de chover
Por Stª Ana (dia 27) limpa a pragana
Por Stª. Marinha (dia 18) vai ver tua vinha, e qual a achares tal a vindima
Por S. Vicente (dia 19) toda a água é quente
Quem em Julho ara e fia, ouro cria.
Quem trabalha em Julho para si trabalha

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Programa do Capítulo de Verão e Dia Nacional do Vinho


Horário de abertura da Confraria até final de Julho para pagamento de quotas e outras informações:
Segunda-feira, Terça-feira, Quinta-feira das 17:30 as 19:30
Quarta-Feira das 20:00 as 21:30
Quem desejar, poderá pagar as quotas por transferência bancária através de NIB: 003509300014189203018
Observação:
Agradecíamos que nos fornecessem os vossos e-mails para que, assim, possamos enviar a correspondência por esta via.
E-mail da Confraria: Confraria.graovasco@sapo.pt
Consulte o nosso blog: graovascoconfraria.blogspot.com