quarta-feira, 9 de abril de 2008

PRÉMIO BEIRÕES DE MÉRITO

No Jantar Confrádico assistiremos à entrega dos prémios Beirões de mérito, que serão atribuidos a personalidades que se destacaram na vida profissinal ou noutras actividades da região.
Os prémios este ano são os seguintes: Personalidade do Ano, mérito cultural, mérito de carreira, mérito gastronómico, mérito enófilo, merito confrádico e merito desportivo.
Todos os anos a nossa Confraria eleva as pessoas que pelos seus meritos se destacam no panorama nacional

JANTAR CONFRÁDICO

Caros Confrades:

Coincidindo com a reunião do Nobre Senado e VI aniversário desta Confraria, vamos levar a efeito, no dia 18 de Abril o habitual jantar confrádico, a iniciar pelas 20 horas, na Quinta da Madalena, sita em Moure de Madalena, após a reunião do Nobre Senado.

EMENTA

Entradas: Enchidos regionais, Feijocas, Favas, Chanfana, Presunto, Queijo;
Prato Principal: Arroz de Costelas em Vinha d’Alhos;
Sobremesa: Fruta da Época e Bolo de Aniversário
Bebidas: Vinho do Dão, Águas, Cerveja, Café e Espumante.

Pela noite dentro… Caldo Verde, Chouriça e Broa

Animação Musical: Tuna Sabores da Música e Noite de Fados

Custo de participação: 20,00 €

Inscrições até ao dia 11 de Abril para:
Confraria de Saberes e Sabores da Beira “Grão Vasco”, Av. Calouste Gulbenkian, 22 r/c, 3510 – 055
Marina Barreiros – Tel. 965887580; Paula Teixeira – Tel. 939908098
confrariagraovasco@sapo.pt

Trazer Traje Confrádico
Saudações beirãs
O Almoxarife
(José Ernesto Pereira da Silva)

CONVOCATÓRIA

Nos termos do artigo 12.º do Regulamento Interno da Confraria, convoco o Nobre Senado para reunir, em Sessão Ordinária, no próximo dia 24 de Março (sexta feira) pelas 18.30 horas na Quinta da Madalena em Moure de Madalena com a seguinte

Ordem de trabalhos:

1 – Apreciação e votação do Relatório de actividades e das contas da Confraria respeitantes ao ano de 2007;

2 – Apreciação e votação do Plano de Actividades e Orçamento para o ano de 2007.


Nota: Se à hora marcada não existir “quórum” o Nobre Senado reunirá meia hora depois, com a presença de qualquer número de confrades.


Viseu, 17 de Março de 2008


O Grão-Mestre

(António Lopes Pires)

quinta-feira, 13 de março de 2008

VISEU, LINDA CIDADE MUSEU...

“Antiqua et nobilíssima”. Assim se define a cidade de Viseu numa legenda de brasão. Tão antiga que impossível se torna contar o tempo desde a sua fundação. De tal nobreza, que leva muito tempo a enumerar as residências de fidalguias antigas, a enumerar gente de bem multiplicada em gerações de anónimos obreiros de bem servir.
Implantada no centro da Beira, assenta seus fundamentos na solidez do granito que lhe define o carácter e historicamente lhe construiu seu corpo e, em inteireza igual, lhe moldou a alma.
(…)
Em sintonia com esta imagem, está o jeito do viver beirão de seus moradores e a cidade oferece-se como casa franca, com mesa posta sobre toalha de linho onde o pão tem ainda o sabor das origens e o vinho a cor e o paladar que traz das encostas soalheiras.


Alberto Correia
In, Viseu,
Editorial Presença,
Lisboa, 1989

O JOGO DA REZA


“ – Mingar, mingar,
para sempre rezar.
– Reza!...”

O mandar rezar, era um jogo de meninos e decorria por toda a Quaresma, tendo o seu términos no Sábado Maior ao toque da Ressurreição do Senhor que acontecia, por estas terras, ao meio dia.
Este jogo iniciava-se logo após o fim do Carnaval e tinha o seguinte ritual: os meninos enganchavam os dedos mindinhos, normalmente os da mão direita, e diziam, abanando a mão:
“ – Mingar, mingar,
para sempre rezar.
– Reza!...”
Após este ritual, combinava-se o que cada um teria, caso perdesse, de dar ao outro no fim do jogo que só terminava, como já foi dito, no Sábado maior. O compromisso de mandar rezar estava selado e cada um deles já sabia que, Quaresma fora, cada vez que passasse pelo parceiro de brincadeira, teria de o mandar rezar. Se o não fizesse, não vinha daí mal ao mundo uma vez que não perdia nem ganhava nada com isso. Só no Sábado Maior é que a brincadeira era realmente levada a sério. Quem neste dia fosse mais lesto e mandasse rezar o parceiro primeiro, recebia do perdedor a paga estipulada no início do compromisso: amêndoas, línguas de gato, beijinhos e outras iguarias pouco habituais ao longo do ano mas que nesta época sempre apareciam um pouco por todas as casas da aldeia.
Neste dia era ver a pequenada, cosida às paredes, a tentar chegar, sem ser notada, junto dos parceiros e, apanhando-os desprevenidos, mandá-los rezar. As artimanhas eram mais que muitas. Pelos quinteiros, colados aos muros, à espreita por uma qualquer fisga na parede, lá estavam, horas a fio à espera. Quantos não se escondiam dentro de suas casas e pelos postigos mandavam rezar o parceiro que á esquina da rua esperava, pacientemente, a saída do colega de brincadeira. Outros escondiam-se nos sótãos e levantando, habilmente, uma telha lá apanhavam os parceiros desprevenidos. Valia tudo!
– Reza, Maria.
– Reza, Jaquim.
– Reza, Manel...
Reza...; Reza...; Reza..., ouvia-se ecoar, um pouco, por toda a aldeia. O perdedor, furioso por ser apanhado, ainda argumentava que não valeu porque..., que o outro fez batotice..., e tal e tal..., mas já não havia volta a dar, teria mesmo de pagar a dívida que, regra geral, era levada a sério e sempre saldada no dia seguinte. Estes Homenzinhos de palmo e meio, honravam sempre a palavra dada.

A título de curiosidade:

Por estas bandas, dizia-se: “ – Mingar, mingar,
para sempre rezar.
– Reza!...”
Em terras de Lafões, o ritual era, ligeiramente, diferente:
“ – Enganchar, enganchar
para dia de Páscoa me dares o folar.
De hora em hora, dia em dia,
Até Sábado de Aleluia.
– Reza.”
No Alto Paiva, os meninos enganchavam os dedos e diziam:
“ – Enganchar, enganchar,
para em toda a Quaresma
te mandar rezar.
– Reza.”
Era assim por toda a Beira e, com pequenas variantes, um pouco por todo o país.

Maria Odete Madeira
(Chanceler-Mor da Confraria de Saberes e Sabores da Beira, “Grão Vasco”)